quinta-feira, 30 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
ATIVIDADE LÍNGUA PORTUGUESA – PROF. ALEX
VARIAÇÃO DE LINGUAGEM
NOMES:
TURMA:
DATA:Antigamente
Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante do pais, e se um esquecia de arear os dentes antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de entrar no couro. Não devia também se esquecer de lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava mangando na rua nem escapulia do mestre, mesmo que não entendesse patavina da instrução moral e cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões para comparecer todo liró ao copo-d´água, se bem que no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos. Os bilontras é que eram um precipício, jogando com pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de molho diante de um treteiro de topete: depois de fintar e engabelar os coiós, e antes que se pusesse tudo em pratos limpos, ele abria o arco. O diacho eram os filhos da Candinha: quem somava a candongas acabava na rua da amargura, lá encontrando, encafifada, muita gente na embira, que não tinha nem para matar o bicho; por exemplo, o mão de defunto.
Bom era ter costas quentes, dar as cartas com faca e o queijo na mão; melhor ainda, ter uma caixinha de pós de perlimpimpim, pois isso evitava de levar a lata, ficar na pindaíba ou espichar a canela antes que Deus fosse servido. Qualquer um acabava enjerizado se lhe chegavam a urtiga ao nariz, ou se o faziam da gato-sapato. Mas que regalo, receber de graça, no dia-de-reis, um capado! Ganhar vidro de cheiro marca barbante, isso não: a mocinha dava o cavaco. Às vezes sem tir-te nem guar-te, aparecia um doutor pomada, todo cheio de nove-horas. (...)
Mas até aí morreu o Neves, e não foi no Dia de São Nunca de tarde: foi vítima de pertinaz enfermidade que zombou de todos os recursos de ciência, e acreditam que nem sequer botou fumo no chapéu?
Carlos Drummond de Andrade.
O texto de Drummond mostra a variedade lingüística através do tempo, uma vez que possui expressões populares muito usadas “antigamente”, mas que hoje estão em desuso.
A tarefa do grupo é reescrever o texto trocando as expressões destacadas por expressões atuais.
vaidoso, ostentador – sem cerimônia, sem aviso prévio
leitão – ficar aborrecido – vidro de perfume de má qualidade – presente
fazer alguém de bobo – irritar – zangado – morrer – miséria – levar fora
ter a proteção de alguém – comandar, dominar – pão-duro – ligado/preso
beber aguardente – preocupada – em situação difícil – fugir – intriga/mexerico
más-línguas – enganar os trouxas – tornar a situação clara – enganar
enganador – ficar de sobreaviso – defender ideias opostas – velhacos
piquenique – alegre – lanche, reunião – nada – fugir – curral – ao lar
surra – zombar – sem reclamar – levar uma surra – dormir – pequenos
ter respeito – escovar os dentes – à toa